segunda-feira, 11 de maio de 2020

Como estão os pobres?


A Campanha da Fraternidade realizada durante o período da Quaresma, deste ano de 2020, nos pediu um olhar de compaixão: “Viu sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). Quando foi pensada esta Campanha, não se imaginava que a mesma não pudesse ser concluída conforme programado. Ainda no decurso da Quaresma, o mundo inteiro sentiu  uma dor profunda e levou um susto imenso. O medo generalizado tomou conta da sociedade, pois um inimigo invisível entrou nas casas, viajou pelas ruas, praças e muitas portas foram fechadas inclusive as das igrejas.  As pessoas sentiram-se ameaçadas, independentemente da  condição social, cultural, religiosas e econômica. O Coronavírus  chegou de uma forma invisível, mas fazendo estragos profundos na vida humana.

Ao chegar o término do ano de 2019 todos estavam dizendo feliz ano novo. Sim falamos isso para muitas pessoas. Era uma esperança que  2020 traria felicidades. Mas onde está felicidade? Nossos sonhos fracassaram? Não podemos perder a esperança. Estamos ameaçados por um inimigo invisível, mas há um Deus que nos conforta. “Há uma luz, não no fim do túnel, mas no meio dele” (Fr. Carlos Mesters). Essa luz é Jesus.

Neste tempo de inseguranças têm surgido muitos gestos de solidariedade. Eles não precisam ser grandes, basta serem feitos com amor. Muita gente está fazendo máscaras para doar aos pobres. As paróquias estão fazendo campanhas de alimentos e vestes para socorrer as pessoas que estão precisando. Os gestos de solidariedade estão se multiplicando. O povo brasileiro sabe por mais água no feijão e assim o pão se multiplica. Com o nosso amor muita gente pode ser amparada. O Papa Francisco, no dia 9  de maio telefonou para o Cardeal de São Paulo,  Dom Odilo Scherer, se solidarizou com os sofredores e perguntou:  “Como estão os pobres”?

Vamos olhar para além de nossas casas e perguntar como estão pobres? Existe muita gente boa que se compadece  e quer  cuidar dos outros. A Igreja como mãe cuidadosa dos seus filhos e filhas se preocupa com os pobres e quer ajudá-los, especialmente nesse momento de fragilidade. Não podemos ficar indiferentes à dor e à vulnerabilidade humana. Vamos repartir, confortar e curar. Muitas vezes aqueles recursos disponibilizados pelas grandes empresas não chegam imediatamente até os pobres, não lhes traz alívio. Com a força do Espírito Santo agindo em nós, na  sensibilidade cristã  e com a organização das comunidades  muita gente poderá ser socorrida. Vamos  perguntar como estão os pobres da nossa rua, de  nossa comunidade  e de nossa paróquia. Vamos descobrir como eles estão e uma vez conhecendo a dor deles, não podemos ficar insensíveis à situação que clama ajuda. Quem fica invisível é o vírus que causa mal. A comunidade cristã precisa ter uma presença visível e samaritana, na sociedade.

Neste tempo de pandemia com tantos anúncios de saturação dos sistemas de saúde,  de mortes e sepultamentos em valas comuns, corre-se o risco de ficar insensível a tanto sofrimento. Não podemos ser assim indiferentes. O olhar de indiferença mata. Vamos ser solidários. Podemos rezar, podemos oferecer amor  aos que necessitam, podemos estender as mãos oferecendo um pouco do que somos e temos. Ajudar é preciso. A ajuda solidária traz alegria ao coração do necessitado. Deus não cessa de nos ajudar, por isso somos felizes. Não podemos ficar insensíveis. Vamos socorrer quem está no caminho sem forças para seguir.
Dom Messias dos Reis Silveira

Dom Messias dos Reis Silveira
Bispo Diocesano de Teófilo Otoni - MG

domingo, 29 de setembro de 2019

Lançamento de livros em sessão solene conjunta da ALTO e do IHGM

No dia 21 de setembro de 2019 foi realizada sessão solene conjunta da Academia de Letras de Teófilo Otoni - ALTO e do Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri - IHGM, onde ocorreu posse de membros, homenagens e lançamento de livros.
Dois membro da ALTO lançaram livros. O Professor Dr. Antônio Jorge de Lima Gomes lançou Devaneios Poéticos e o escritor Salvador Araújo lançou três livros, respectivamente: Lira dos Vales, O CÚMULO DO ANTAGONISMO: A luta pelo fim da tração animal no Brasil e UMA NOVA HISTÓRIA DE DAMOMA seguir segue uma síntese dos livros destes dois autores.


DEVANEIOS POÉTICOS
Autor: Antônio Jorge de Lima Gomes

Uma pessoa em devaneio é aquela que busca fora da razão mental uma resposta às suas dúvidas e angústias, vivendo em si e para si, uma linda e pura imaginação. No entanto, para esta pessoa, este mundo imaginário é de fato tão real, que se confunde com o seu mundo verdadeiro.
Um poeta que vive em devaneios é aquele que expressa através de suas poesias um mundo apenas seu, que muitas vezes também pode ser bem entendido e até compreendido por muitas pessoas que compartilham com o mesmo ideário social. Um mundo em devaneios é um lugar aconchegante e quase perfeito para um poeta, lá é melhor o ar que se respira, a água que se bebe é mais pura e leve, e o alimento é muito mais saboroso. Neste lugar, o amor é mais completo. Neste mundo imaginário está a fonte da sua tão sonhada felicidade.
A poesia é um constante devaneio onde um poeta expressa a essência do sentimento maior, num mundo que valoriza e enobrece a importância de suas ações, na incessante busca de um verdadeiro e infinito mundo real.
Num mundo imaginário tudo é mais bonito e perfeito, onde o amor é sempre verdadeiro e está presente no cotidiano, fazendo com que todos vivam mais felizes e amados, convivendo num estado completo de alegria e contentamento.
Na busca da felicidade todos os apaixonados sabem que só o amor constrói, e será através deste que se amadurece o entendimento e que vai dignificar a convivência entre todas as pessoas. Quando vivemos um grandioso e verdadeiro amor, temos em nós uma fonte inesgotável de prazer e sentimentos, que nos levam à busca do prazer e viver momentos de êxtase e devaneios.
O amor é uma constante aventura de devaneios, onde conhecer a nós mesmos e sobretudo a pessoa amada, cria um mundo de bem-estar, sendo este lugar nossa fonte de prosperidade e de bem querer, onde a presença da pessoa amada nos acalma e nos conforta.
Os devaneios são reflexos de uma busca pessoal e decorre nos momentos em que a vida está vazia e sem sentido, normalmente oscilando entre a fantasia e a dura realidade em que vivemos.
Quando buscamos um mundo real dentro do imaginário, e nos encontramos neste local com a pessoa amada, com certeza, lá também estará a nossa fonte da eterna felicidade.
Vivamos felicidade. Vivamos paixão. Vivamos sempre a incessante busca de um eterno imaginário; na certeza, de encontrar um verdadeiro amor no mundo real.
Vivamos devaneios e assim sejamos felizes.


LIRA DOS VALES
Autor: Salvador Araújo

Lira dos Vales é um romance modernista da 2ª metade do século XX. Ambientado na cidade de Teófilo Otoni, o livro traça um painel dos quatro vales vizinhos: São Mateus, Mucuri, Jequitinhonha e Doce (detalhe que dá nome à obra). Lira é Daiana, menina faceira e muito inteligente que vive com os pais em um sítio localizado na Vila Barreiros, um dos bairros mais antigos da cidade. Seu amado é Luís Carlos de Alcântara (Cau), um colega de infância e afilhado de sua mãe. Essa obra apresenta uma narrativa envolvente, misturando temas como a história da cidade, o êxodo rural, a intensificação do materialismo provocada pelo avanço tecnológico, o divórcio e os principais acontecimentos políticos da época, o principal deles é o Golpe Militar de 1964.


O CÚMULO DO ANTAGONISMO: A luta pelo fim da tração animal no Brasil
Autor: Salvador Araújo

Essa obra tem cunho jurídico e surgiu como dissertação do autor no Curso de Mestrado em Direito Ambiental, na Escola Superior Dom Helder Câmara, em Belo Horizonte-MG, no ano de 2014. Seu título original é “Relação Antagônica entre os Direitos Humanos e a prática da crueldade contra o animal de trabalho - A luta pelo fim da tração animal no Brasil”.
O desiderato aqui defendido é o fim das crueldades praticadas pelo homem atual contra os animais domésticos, sobretudo, o animal de trabalho. O contexto defende a superioridade do ser humano frente aos outros animais. Em outras palavras, não se retira do homem o domínio sobre a Terra. Porque se credita que somente uma força natural e inteligível pode atuar sobre ele, fazendo-o agir por intermédio do instinto, como já o fazem as outras formas de vida.
Como se vê, o discurso encontrado no livro não se baseia em uma pretensa igualdade entre o homem e os seres irracionais. Não há que se entender, aqui, que seja possível instituir, jurídica e racionalmente, direitos a um ser irracional. Porque, mesmo no momento em que aceita os outros viventes como sujeitos de direitos, o homem está sendo superior, porquanto um ser capaz de decidir quem tem direitos.
Mas que não se confunda o “não ter direitos” com o “ser escravo”. A escravidão é antagônica à racionalidade. A prática, seja ela contra homens ou entes despersonalizados, só exterioriza bestialidade. Então, igualam-se ou se invertem os sujeitos.
A tese é consentânea à ideia de um “Criador Supremo”. Porque atribuir liberdade é dizer: “Ganharás o pão com o suor do teu rosto!”. O solilóquio induz a uma abstração: “Não te darei nada; mas, também, nada exigirei de ti: eis o teu livre arbítrio. Vai-te, domina a Terra e as demais criaturas que nela habitam, mas não percas tua racionalidade!”.



UMA NOVA HISTÓRIA DE DAMOM
Autor: Salvador Araújo

O romance “Uma Nova História de Damom” relata a fase adulta de Damom de Mascarenhas, personagem principal do conto “Diário de um menor abandonado”, primeiro livro publicado pelo autor. Assim, por intermédio de uma narrativa empolgante, recheada de emoções, aventura e suspense, os leitores terão a oportunidade de continuar lendo a história do menino que foi salvo pela empregada doméstica. Entretanto, o enredo, agora, substitui o clima de sofrimento presente no conto por uma atmosfera alegre, de conquistas e realizações. Tudo isso fica ainda mais atraente com o emprego de uma linguagem mais solta, com a participação de um universo maior de personagens e, sobretudo, com a magia da interação do autor com o leitor.











Antonio Jorge de Lima Gomes
Professor UFVJM - Campus do Mucuri - Teófilo Otoni

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Ao Mestre Nestor Sant’Anna


Ao mestre, com afeto

                                                                                                                    Luciano Lopes


Montes Claros, norte de Minas Gerais, 9h da manhã de uma quarta-feira de sol. Éramos eu e mais sete universitários do curso de Jornalismo, do quinto ao sétimo períodos, esperando o início do processo seletivo para uma vaga de estágio em uma das cinco maiores empresas de saúde animal do planeta. Sentado em um banco acolchoado na entrada do auditório, esperava ansioso. E lembrava dos meus últimos sete dias frente àquele que poderia ser o meu primeiro ingresso profissional no mundo da comunicação.

Soube da vaga por meio de um anúncio fixado no mural de informações do campus da faculdade. Logo fiz a inscrição e iniciei uma maratona de pesquisa sobre a empresa. Para isso, adiantei todos os meus trabalhos a serem entregues no período em que o processo seletivo seria realizado. 

Acessei o site da instituição para saber mais sobre a sua história, produtos e conquistas. Li dezenas de notícias e matérias na imprensa, incluindo entrevistas do presidente e de seus diretores. Uma coisa me chamou mais a atenção: a relação da empresa com a comunidade. Essa interação forte só era possível por conta do olhar sensível do então presidente à causa social. Esse olhar também se estendia, primordialmente, aos colaboradores.

Fomos recebidos pela equipe de Recursos Humanos e pelo assessor de Comunicação da presidência, o jornalista Nestor Sant’Anna. Atencioso com todos, foi ele quem conduziu todo o processo seletivo e escolheria o estagiário para compor o que seria a primeira turma da assessoria de comunicação da empresa. Antigamente, esses trabalhos eram centrados na Gerência de Marketing, que fica na capital paulista.

Nestor Sant'Anna

Após assistir ao vídeo institucional, cada um dos candidatos se apresentou e desfilou seus expoentes curriculares. Tive de vencer minha timidez para sobressair àquele mise-en-scène dos concorrentes. Falar bem de si mesmo pode ser fácil, mas a prática pode ser implacável em mostrar o contrário. Como meus pais me ensinaram, nesses momentos, uma colher de humildade, discrição e, principalmente, de verdade, não faz mal a ninguém.

Sob os olhares da gerente de Recursos Humanos e do Nestor, escolhi continuar com os pés no chão: disse que estava no quinto período do curso de jornalismo, que era um leitor voraz, gostava de escrever e tinha sede de aprender mais. Fora isso, tinha experiência zero com Comunicação. Estava desempregado há três meses e meu emprego anterior era de secretário administrativo em uma associação de empregados de uma grande empresa. E que, mesmo me preocupando em fazer o melhor que podia lá, eu não era feliz.

O silêncio que se fez na sequência me fez pensar que eu havia acabado de perder aquela oportunidade de trabalho. Mas o destino me reservava uma grata surpresa. Logo após a “entrevista coletiva”, nos posicionamos nas cadeiras do auditório para escrever um texto sobre o tema que logo nos foi revelado: “A relação entre a empresa e a comunidade”. Exatamente o assunto que havia me dedicado a estudar na última semana. Em 20 minutos, entreguei meu texto e saí. Eram quase 11h da manhã.

Fui para casa, almocei e me preparava para retomar os estudos da faculdade quando, pouco depois das 14h, recebo um telefonema do próprio Nestor informando que eu havia sido selecionado para a vaga do estágio. Na segunda-feira seguinte, às 13h, comecei a trabalhar na empresa.

Foi lá que aprendi tudo sobre assessoria de imprensa, organização de eventos, produção editorial, revisão de texto, relacionamento com clientes, stakeholders, colaboradores, imprensa. Foi lá que tive contato com projetos sociais que me permitiram ver o próximo de outra forma. Foi lá que deixei de ser um jovem sonhador para ser um comunicador de verdade. E isso não teria acontecido se o Nestor não tivesse cruzado o meu sertão.

Nascido Nestor Coelho de Sant’Anna em Teófilo Otoni, Vale do Mucuri, ele sempre foi um homem inteligente e elegante, na vida e na profissão. Sabe a hora certa de falar o que precisava ser ouvido. E faz isso com classe, seriedade e, quando o momento pede, bom humor.

Ele jamais chamou a minha atenção na frente de outras pessoas. Nas poucas vezes em que fiz algo que merecia mais dedicação – talvez por conta da pouca experiência profissional –, ele me pedia reflexão. “Avalie os acontecimentos, levante possíveis soluções, teste sem medo e atente-se aos detalhes”, dizia. Este era o caminho para entregar o melhor.

Foi com Nestor que aprendi que, em uma empresa, gente é ponte. E o outro lado da travessia é o trabalho bem feito. Também me aconselhou que local de trabalho não é mesa de bar. Basta uma frase sobre sua vida pessoal e você estará para sempre na boca de todos. Toda revelação tem um preço, e o que as pessoas cobram é que continue alimentando-as sobre os vales escuros ou iluminados do interior de si. A plateia, viciada no espetáculo alheio, quer mais e mais. E não mede esforços em aplaudir ou vaiar – na mesma ou em maior intensidade.

Foi Nestor que trouxe minha atenção para a música popular brasileira e, principalmente, a de Montes Claros, minha terra natal. Descobri que a minha cidade era uma fonte inesgotável de cultura e arte e abracei tudo isso. Entre congados, religiosidades e bandeiras, entre o arroz com pequi e a carne de sol, a música regional e a literatura, havia a memória, a história e a tradição do povo de antes.

“Menos Michael Jacksons e Madonnas”, dizia Nestor. E mais Minas, Darcy Ribeiro, Mestre João, Trem Brasil. Mais Babaya, Anthonio, Tabajara Belo, Milton Nascimento. Mais Hermes de Paula e Yvonne Silveira, dois grandes historiadores de Montes Claros. E eu, mais mineiro e brasileiro do que nunca, fui além dos conselhos do Nestor: surfei entre Bethânias e Gilbertos, Drummonds e Guimarães Rosas. E, assim, fui renovando minhas veredas interiores.

Nestor me apresentou uma Minas Gerais que eu não conhecia, um Brasil que me esperava ao som das Bachianas nº 3 de Villa Lobos. E eu agradeço a generosidade em me indicar esse bom caminho. Essa é uma grande sensibilidade que ele tem: Nestor não mede esforços em ajudar alguém quando identifica nele algum potencial. Ele me apontou a direção e eu descobri que, no meu sertão, o limite era o mundo.

Como na primeira vez em que embarquei no trem da comunicação, pelas mãos do Nestor, agora é por ele que faço essa homenagem em comemoração aos seus 75 anos. Que você, caro mestre, busque a serenidade todos os dias, no exercício da simplicidade e do afeto, da humildade e da fé, assim como você ensinou a todos nós. E saiba que desse seu eterno pupilo e estagiário (que lhe é muito grato), guardarei sempre a gentileza de me mostrar que a “coragem sempre vence as pedras desafiadoras da criatividade e da competência”.

Você, nesse seu ninho afetivo de acolhimento, histórias, vivências e pensamentos, nos trouxe reflexões, desafios, sorrisos cadenciados, evolução. Ensinou-nos que, antes de vencer o mundo, temos de derrubar os inimigos que existem dentro de nós. Que ética e caráter não são produtos à venda. E que a vida, como uma canção que ternamente nos embala, não pode parar.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Livro narra trajetória do Rancho Folclórico Maria da Fonte da Casa do Minho do Rio de Janeiro


Livro editado no Brasil narra trajetória do Rancho Folclórico Maria da Fonte da Casa do Minho do Rio de Janeiro desde 1954

Obra apresentada no Brasil e em Portugal


O jornalista e escritor luso-brasileiro, Ígor Lopes, vai lançar o livro-reportagem “Rancho Folclórico Maria da Fonte da Casa do Minho do Rio de Janeiro - A jornada do grupo português que valoriza a cultura minhota no Brasil desde 1954” no dia 5 de julho, sexta-feira, nas instalações da entidade carioca. Em agosto, o livro será lançado em Portugal, na cidade de Viana do Castelo.
Além de celebrar os 65 anos de fundação do Maria da Fonte, o mais antigo dos quatro grupos da Casa do Minho do Rio de Janeiro, a proposta dessa obra literária é realçar os momentos mais importantes do percurso do rancho. Ao longo de 226 páginas, o leitor poderá conhecer os nomes que fizeram o grupo ganhar a dimensão que tem hoje, além de entender as ligações da Casa do Minho do Rio de Janeiro com as autoridades portuguesas, brasileiras e luso-brasileiras, bem como desvendar os detalhes das atividades do R. F. Maria da Fonte.
A narrativa procura também apontar a importância e a dimensão do protagonismo nacional e internacional do grupo, que ocupa hoje um lugar de grande notoriedade na Diáspora portuguesa, promovendo a língua de Camões, a cultura lusitana e as tradições, danças e cantares da região do Alto Minho. Em pauta estão ainda os pontos mais sensíveis dessa história de relevo, as motivações, o que pensam os seus responsáveis e a crítica no país do samba. O trabalho, fruto de pesquisas e de entrevistas jornalísticas no Brasil e em Portugal, convoca personagens dos dois países para que expressem os seus sentimentos sobre o trabalho desenvolvido pela Casa do Minho na cidade maravilhosa, com destaque para o legado que será deixado para as novas gerações em termos de folclore no Brasil. O valor total obtido com a venda do livro será utilizado para as ações e atividades do R. F. Maria da Fonte.
Segundo o autor, a ideia do livro passa ainda por apresentar uma qualitativa pluralidade de opiniões, mostrando que nada se faz de forma isolada. “É preciso construir parcerias e mantê-las vivas e ativas”.
“Foi um enorme prazer e um orgulho ter sido convidado para contar os detalhes da história recente do Rancho Folclórico Maria da Fonte, além de poder “desfiar” parte do passado da entidade e da sua atividade folclórica. Foi emocionante ter tido contato com fotografias de época, com arquivos da Casa e com nomes fundamentais nesse percurso de sucesso. Espero que o trabalho dessa instituição minhota e dos seus ranchos folclóricos prossiga, valorizando os seus diretores, componentes, colaboradores e a cultura portuguesa no Brasil”, afirmou o jornalista Ígor Lopes.
Por sua vez, a diretoria da Casa do Minho do Rio enalteceu a importância do folclore português no Brasil.
“A Casa do Minho tem uma história riquíssima. E o seu mais antigo rancho é prova disso. A cultura do Alto Minho está preservada no Brasil. Os nossos folcloristas demonstram sempre muito amor pela cultura minhota quando o grupo se apresenta no Brasil ou em Portugal”, defendeu Agostinho dos Santos, presidente da Casa do Minho carioca.
Cultura de Portugal ganha destaque no Brasil
O folclore português é responsável por grande parte da promoção da cultura lusitana no seio da sua Diáspora espalhada pelo mundo. E, no Brasil, não é diferente. Prova disso é a lei assinada recentemente pelo governador do Estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, que declara o folclore português como Patrimônio Histórico e Cultural, de natureza Imaterial, do Estado fluminense.
“Como é do conhecimento do público lusodescendente, a Casa do Minho do Rio de Janeiro trabalha de forma respeitosa e ostensiva a promoção do folclore português, mais concretamente da região do Alto Minho, no Brasil”, consideraram as autoridades luso-brasileiras.
Autor com experiência na escrita e na apuração jornalística
Ígor Pereira Lopes é jornalista e escritor. Aos 38 anos, é Mestre em Comunicação e Jornalismo pela Universidade de Coimbra (Portugal); Especialista em Gestão de Comunidades e Redes Sociais pela Universidade de Guadalajara (México), possui Extensão Universitária em Princípios da Comunicação Mediática Contemporânea pela Universidade de Santiago de Compostela (Espanha) e Graduação em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (Brasil).
É responsável por projetos jornalísticos, de comunicação e literários entre Brasil e Portugal. Atua para agências de notícias brasileiras e portuguesas. Tem experiência nas áreas de consultoria literária, assessoria de imprensa e de comunicação, comunicação estratégica empresarial e institucional, jornalismo digital, jornalismo cultural, relações públicas, social media, marketing digital e cultura digital.
É autor dos livros-reportagem “Maria Alcina, a força infinita do Fado” (2016); “Casa do Distrito de Viseu: cinquenta anos de dedicação à cultura portuguesa no Rio de Janeiro” (2016) e responsável editorial pelos livros “A Voz da Mulher” (2018), da jornalista e radialista Wylma Guimarães, e “Values, Motivation and Leadership - Fany Tchaicovsky and colleagues” (2015), organizado por Marcelo Fernandes.
É detentor de prêmios, títulos e distinções no meio profissional e acadêmico. É ainda membro da Academia de Letras e Artes Paranapuã (ALAP), da Academia de Letras de Teófilo Otoni (ALTO) e da Eco Academia de Letras, Ciências e Artes de Terezópolis de Goiás (E-ALCAT).
Natural do Rio de Janeiro, Ígor Lopes tem nacionalidade portuguesa. As suas raízes em Portugal estão em Armamar, no distrito de Viseu, e em Constantim, no distrito de Vila Real.

Capa do Livro


domingo, 19 de maio de 2019

HOLOCAUSTO


Holocausto

Therezinha Melo Urbano de Carvalho*

Sem aviso, sem sirene tocar, sem o menor sinal de “Perigo”. O estrondo. Brumadinho despedaçada, afogada e afogando muitos dos seus filhos na lama com dejetos da barragem do Feijão.

Não se pode expressar em palavras aquele momento desesperador. Um espetáculo deprimente e dantesco. No doloroso holocausto não foram dejetos a inundar aquela região; foram pessoas que tiveram a vida ceifada. Talvez, meia hora antes, na pousada, faziam planos para um futuro feliz.

Braços, rostos, mãos enlameadas, procurando socorro desesperadamente, para logo desaparecerem na lama assassina. Oh tragédia! Naquele momento horrível, vidas tragadas pela imprudência de muitos, o desejo de poder e do vil metal, necessidade de vivência e de trabalho de tantos outros. Nem todos conheciam a gravidade e o perigo.
A Vale tecnicamente conhecia a realidade desta e de outras barragens. Uma parte das forças do Executivo, Legislativo e Judiciário não desconheciam o problema. Nada fizeram. Nada! “Deixa como está para ver como fica...” Mas não ficou.

A força das águas da barragem do córrego do Feijão levou Brumadinho, Minas, Brasil, ao topo das notícias dramáticas do mundo inteiro. Minas Gerais se dobrou, chorou, ajoelhou-se diante do acontecimento. E se fez presente em muitos voluntários, especialmente o Corpo de Bombeiros do Estado. Como seu representante emocionado falou: “É como se fosse o pai ou a mãe de cada um de nós”. É preciso render uma homenagem a estes heróis que não fugiram da luta e provaram que mineiro tem alma de doador e alegria de servir.

Minas Gerais está sofrida, abalada, com o rompimento em Mariana e Brumadinho. As consequências nefastas das barragens estão claras e inevitáveis. Seu rompimento atingiu duas regiões ricas em mananciais, de terras produtivas do nosso Estado. A recuperação será difícil, longa, permanente. Mineiros estão de “olho vivo”, forças vivas e com coragem para defender essa terra.

O que a natureza demorou tempos e tempos para formar, nossas montanhas, montes de belo horizonte... máquinas possantes e atitude desumanas destroem. Acabam com o que a natureza de belo nos deu. “Das montanhas de Minas corre o fio, sem fim, de memórias.”
Minas é mar de terras, marés de montanhas, Minas encanta com suas riquezas. Pena é ser explorada há tanto tempo, com pouco reconhecimento dessas riquezas. Minério de Minas precisa de mais Justiça. Isto foi falado por Joaquim Herculano Rodrigues, ainda em 2012, em Diamantina. Lá se vão sete anos e nada mudou.

2019 será marcado como ano de tragédias. Para Minas e para o Brasil. Marco para sempre.
Infelizmente, no mundo, falta compreensão, afeto, amor. Sobrou neoliberalismo, descuido com o meio ambiente, intolerância com as minorias. Está faltando no mundo inteiro o gosto por poesia para entender melhor a vida e a aproximação entre as pessoas. A Academia de Letras de Teófilo Otoni (MG) lançou na revista, em 2018, o tema “Amor perfume que espalha”. Através da literatura os homens podem fazer uma ponte...
Como ressalta Guimarães Rosa, Minas vive entre o interior e o moderno, passado e futuro. Mas é chamamento: “Mineiros AGORA”. Bastam embates e perdas no Estado. Unidos, lutemos pelo nosso crescimento. Mesmo que fiquemos mais pobres pela falta dos royalties das siderurgias, a vida será mais digna, mais segura e tranquila.

Fiquemos de pé, mineiros, “jamais assentados”. Olhando para o alto, para nossas montanhas e belo horizonte, contemplando as estrelas e buscando nas paisagens força e coragem para surgir... uma nova MINAS GERAIS.

*Terezinha Melo Urbano de Carvalho, educadora aposentada, escritora e poetisa, é membro da Academia de Letras de Teófilo Otoni, titular da cadeira 25.

Poema de Dona Didinha comemorando os seus 102 anos de vida


 102 anos de vida


 Lentamente...
Vagarosamente...
meus olhos são tocados: bradou o clarão do arrebol
dá de presente a certeza, a beleza de mais um dia, um dia a mais que  passo a acrescentar ao meu centenário.
O papel em branco parece me perguntar:
Vai me usar?
Estou à sua disposição!
As palavras que recebo: aceito!
São frutos da imaginação dos seus sentimentos, guardados onde o coração recebe todos os movimentos do viver!
Guardados, sentidos, onde o coração recebe, do vivido!
Cada dia que amanhece, traz consigo lembranças que o ontem escolhe para  guardar de acordo com sua conveniência e bondade....!

Teófilo Otoni, domingo, 21 abril de 2019.

102 anos de vida!


Hilda Ottoni Porto Ramos (Dona Didinha): Nasceu em 24 de abril de 1917. Professora, musicista, compositora, pianista, escritora, poetisa e artista plástica, teve sua infância dividida entre a Fazenda Bom Retiro e o colégio Colégio Santa Clara e no ano de 1933 torna-se normalista.

Programação das sessões solenes para o ano de 2019 da ALTO e IHGM


Academia de Letras de Teófilo Otoni
Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri
               
Sessões solenes e especiais da Academia de Letras de Teófilo Otoni e do Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, programadas para o ano de 2019

18 de maio 2019:
Sessão especial da Academia de Letras de Teófilo Otoni em conjunto com o Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, destinada a entrega, anual, da Medalha de Mérito Cultural Dona Didinha. lançamentos literários  e, homenagem aos diversos profissionais das artes  plásticas, cerâmica,  escultura, xilogravura, desenho e artesanato com outorga do Diploma e  Medalha de Honra ao Mérito Albert Schirmer.

15 de junho de 2019:
Sessão especial da Academia de Letras de Teófilo Otoni em conjunto com o Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, em comemoração ao Dia do escritor teófilo-otonense (Lei nº 6.788, de 28 de outubro de 2006), com recepção e posse de membros para o quadro social e lançamentos literários.

17 de agosto de 2019:
Sessão solene do Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, em comemoração ao Dia Nacional do Historiador (Lei nº 12.130, de 17 de dezembro de 2009) e, inauguração da Estrada de Rodagem Santa Clara-Filadélfia: primeira estrada de rodagem construída no Brasil, considerada data cívica municipal, pela Lei nº5.770, de 19 de outubro de 2007. Outorga da Medalha de Reconhecimento  Reinaldo Ottoni Porto, aos professores de história e geografia que atuaram no ensino das disciplinas, no município e região e, do  Prêmio Frei Samuel Tetteroo,  conferido a pessoas naturais ou jurídicas que hajam destacado na promoção de estudos e, na difusão de conhecimentos de história, geografia e ciências afins, assim como no fomento a cultura, defesa e preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural do vale do Mucuri.Recepção e posse de membros para o quadro social.

21 de setembro de 2019:
Sessão solene da Academia de Letras de Teófilo Otoni em conjunto com o Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri para outorga da Medalha Conselheiro João da Matta Machado (Benfeitor do Município de Teófilo Otoni (Lei nº 5.505, de 06 de outubro de 2015), lançamentos literários Recepção e posse de membros para o quadro social.


09 de novembro de 2019:
Sessão especial da Academia de Letras de Teófilo Otoni em comemoração  ao Dia Nacional da Cultura e da Ciência (Lei nº 5.579, de 15 de maio de   1970) e Dia Nacional da Língua Portuguesa (Lei nº11.310, de 12 de junho de 2006), homenagem a professores de língua portuguesa que atuaram no ensino da disciplina na cidade e região; outorga do IV Prêmio Literário Gonzaga de Carvalho, recepção e posse para o quadro social e lançamentos literários.

14 de dezembro 2019:
22ª Noite do Café-com-Letras: lançamento do 17º número da Revista Café-com-Letras; entrega de Cestas Literárias a diversas instituições educacionais, sociais e culturais da cidade e região, lançamentos literários, recepção e posse para o quadro social e, homenagem ao escritor e historiador Serafim Ângelo da Silva Pereira (centenário de nascimento:1919-2019).
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Local das sessões: Plenário da Câmara Municipal de Teófilo Otoni - Praça Tiradentes, 170
Horário: 19:00 horas

Vídeo do Lançamento da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri - Volume 4

  Olá. O lançamento do Volume 4, da revista do Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, ocorreu no dia 21 de abril de 2021 de forma onlin...