domingo, 19 de maio de 2019

HOLOCAUSTO


Holocausto

Therezinha Melo Urbano de Carvalho*

Sem aviso, sem sirene tocar, sem o menor sinal de “Perigo”. O estrondo. Brumadinho despedaçada, afogada e afogando muitos dos seus filhos na lama com dejetos da barragem do Feijão.

Não se pode expressar em palavras aquele momento desesperador. Um espetáculo deprimente e dantesco. No doloroso holocausto não foram dejetos a inundar aquela região; foram pessoas que tiveram a vida ceifada. Talvez, meia hora antes, na pousada, faziam planos para um futuro feliz.

Braços, rostos, mãos enlameadas, procurando socorro desesperadamente, para logo desaparecerem na lama assassina. Oh tragédia! Naquele momento horrível, vidas tragadas pela imprudência de muitos, o desejo de poder e do vil metal, necessidade de vivência e de trabalho de tantos outros. Nem todos conheciam a gravidade e o perigo.
A Vale tecnicamente conhecia a realidade desta e de outras barragens. Uma parte das forças do Executivo, Legislativo e Judiciário não desconheciam o problema. Nada fizeram. Nada! “Deixa como está para ver como fica...” Mas não ficou.

A força das águas da barragem do córrego do Feijão levou Brumadinho, Minas, Brasil, ao topo das notícias dramáticas do mundo inteiro. Minas Gerais se dobrou, chorou, ajoelhou-se diante do acontecimento. E se fez presente em muitos voluntários, especialmente o Corpo de Bombeiros do Estado. Como seu representante emocionado falou: “É como se fosse o pai ou a mãe de cada um de nós”. É preciso render uma homenagem a estes heróis que não fugiram da luta e provaram que mineiro tem alma de doador e alegria de servir.

Minas Gerais está sofrida, abalada, com o rompimento em Mariana e Brumadinho. As consequências nefastas das barragens estão claras e inevitáveis. Seu rompimento atingiu duas regiões ricas em mananciais, de terras produtivas do nosso Estado. A recuperação será difícil, longa, permanente. Mineiros estão de “olho vivo”, forças vivas e com coragem para defender essa terra.

O que a natureza demorou tempos e tempos para formar, nossas montanhas, montes de belo horizonte... máquinas possantes e atitude desumanas destroem. Acabam com o que a natureza de belo nos deu. “Das montanhas de Minas corre o fio, sem fim, de memórias.”
Minas é mar de terras, marés de montanhas, Minas encanta com suas riquezas. Pena é ser explorada há tanto tempo, com pouco reconhecimento dessas riquezas. Minério de Minas precisa de mais Justiça. Isto foi falado por Joaquim Herculano Rodrigues, ainda em 2012, em Diamantina. Lá se vão sete anos e nada mudou.

2019 será marcado como ano de tragédias. Para Minas e para o Brasil. Marco para sempre.
Infelizmente, no mundo, falta compreensão, afeto, amor. Sobrou neoliberalismo, descuido com o meio ambiente, intolerância com as minorias. Está faltando no mundo inteiro o gosto por poesia para entender melhor a vida e a aproximação entre as pessoas. A Academia de Letras de Teófilo Otoni (MG) lançou na revista, em 2018, o tema “Amor perfume que espalha”. Através da literatura os homens podem fazer uma ponte...
Como ressalta Guimarães Rosa, Minas vive entre o interior e o moderno, passado e futuro. Mas é chamamento: “Mineiros AGORA”. Bastam embates e perdas no Estado. Unidos, lutemos pelo nosso crescimento. Mesmo que fiquemos mais pobres pela falta dos royalties das siderurgias, a vida será mais digna, mais segura e tranquila.

Fiquemos de pé, mineiros, “jamais assentados”. Olhando para o alto, para nossas montanhas e belo horizonte, contemplando as estrelas e buscando nas paisagens força e coragem para surgir... uma nova MINAS GERAIS.

*Terezinha Melo Urbano de Carvalho, educadora aposentada, escritora e poetisa, é membro da Academia de Letras de Teófilo Otoni, titular da cadeira 25.

Poema de Dona Didinha comemorando os seus 102 anos de vida


 102 anos de vida


 Lentamente...
Vagarosamente...
meus olhos são tocados: bradou o clarão do arrebol
dá de presente a certeza, a beleza de mais um dia, um dia a mais que  passo a acrescentar ao meu centenário.
O papel em branco parece me perguntar:
Vai me usar?
Estou à sua disposição!
As palavras que recebo: aceito!
São frutos da imaginação dos seus sentimentos, guardados onde o coração recebe todos os movimentos do viver!
Guardados, sentidos, onde o coração recebe, do vivido!
Cada dia que amanhece, traz consigo lembranças que o ontem escolhe para  guardar de acordo com sua conveniência e bondade....!

Teófilo Otoni, domingo, 21 abril de 2019.

102 anos de vida!


Hilda Ottoni Porto Ramos (Dona Didinha): Nasceu em 24 de abril de 1917. Professora, musicista, compositora, pianista, escritora, poetisa e artista plástica, teve sua infância dividida entre a Fazenda Bom Retiro e o colégio Colégio Santa Clara e no ano de 1933 torna-se normalista.

Programação das sessões solenes para o ano de 2019 da ALTO e IHGM


Academia de Letras de Teófilo Otoni
Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri
               
Sessões solenes e especiais da Academia de Letras de Teófilo Otoni e do Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, programadas para o ano de 2019

18 de maio 2019:
Sessão especial da Academia de Letras de Teófilo Otoni em conjunto com o Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, destinada a entrega, anual, da Medalha de Mérito Cultural Dona Didinha. lançamentos literários  e, homenagem aos diversos profissionais das artes  plásticas, cerâmica,  escultura, xilogravura, desenho e artesanato com outorga do Diploma e  Medalha de Honra ao Mérito Albert Schirmer.

15 de junho de 2019:
Sessão especial da Academia de Letras de Teófilo Otoni em conjunto com o Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, em comemoração ao Dia do escritor teófilo-otonense (Lei nº 6.788, de 28 de outubro de 2006), com recepção e posse de membros para o quadro social e lançamentos literários.

17 de agosto de 2019:
Sessão solene do Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, em comemoração ao Dia Nacional do Historiador (Lei nº 12.130, de 17 de dezembro de 2009) e, inauguração da Estrada de Rodagem Santa Clara-Filadélfia: primeira estrada de rodagem construída no Brasil, considerada data cívica municipal, pela Lei nº5.770, de 19 de outubro de 2007. Outorga da Medalha de Reconhecimento  Reinaldo Ottoni Porto, aos professores de história e geografia que atuaram no ensino das disciplinas, no município e região e, do  Prêmio Frei Samuel Tetteroo,  conferido a pessoas naturais ou jurídicas que hajam destacado na promoção de estudos e, na difusão de conhecimentos de história, geografia e ciências afins, assim como no fomento a cultura, defesa e preservação do patrimônio histórico, artístico e cultural do vale do Mucuri.Recepção e posse de membros para o quadro social.

21 de setembro de 2019:
Sessão solene da Academia de Letras de Teófilo Otoni em conjunto com o Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri para outorga da Medalha Conselheiro João da Matta Machado (Benfeitor do Município de Teófilo Otoni (Lei nº 5.505, de 06 de outubro de 2015), lançamentos literários Recepção e posse de membros para o quadro social.


09 de novembro de 2019:
Sessão especial da Academia de Letras de Teófilo Otoni em comemoração  ao Dia Nacional da Cultura e da Ciência (Lei nº 5.579, de 15 de maio de   1970) e Dia Nacional da Língua Portuguesa (Lei nº11.310, de 12 de junho de 2006), homenagem a professores de língua portuguesa que atuaram no ensino da disciplina na cidade e região; outorga do IV Prêmio Literário Gonzaga de Carvalho, recepção e posse para o quadro social e lançamentos literários.

14 de dezembro 2019:
22ª Noite do Café-com-Letras: lançamento do 17º número da Revista Café-com-Letras; entrega de Cestas Literárias a diversas instituições educacionais, sociais e culturais da cidade e região, lançamentos literários, recepção e posse para o quadro social e, homenagem ao escritor e historiador Serafim Ângelo da Silva Pereira (centenário de nascimento:1919-2019).
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Local das sessões: Plenário da Câmara Municipal de Teófilo Otoni - Praça Tiradentes, 170
Horário: 19:00 horas

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

ULTRAJADA NAÇÃO BRASILEIRA


                                                                                         *Marcos Miguel da Silva

                                                 Pela natureza, uma Pátria gigante.
                                                 Que ostenta inigualável riqueza, 
                                                 Habitat de um míxer humano deslumbrante, 
                                                 Amabilidade peculiar, fúlgida beleza.

                       Hoje maculada pelo ultraje da ganância,
                       Que gera incerteza, instabilidade institucional.
                       E do progresso sinaliza grande distância;
                       O que era marolinha hoje é crise nacional.

                                                                    Peca em segurança, saúde e educação,
                                                                    Altos juros levando empresas à falência.
                                                                    Quão triste ver essa grande nação,
                                                                    Agonizando na fila da indigência.

                                                Perdeu-se o senso do que é ser patriota,
                                                Do azul anil, do verde e do amarelo.
                                                Permitiu-se que a droga transforme lúcido em idiota,
                                                Surgimento danoso do poder paralelo.

                        Violência em proporção insuportável,
                        Como se fosse algo exclusivo do Brasil.
                        Domina o medo, sentimento incontrolável...
                        De um povo heróico na mira do fuzil.

                                                                     Reflexo da inversão de valores,
                                                                     Que transformou regra em exceção.
                                                                     No seio, cada vez menos amores.
                                                                     Governantes mergulhados em corrupção.

                                               Dura sina desta terra continente...
                                               Carente do penhor da igualdade,
                                               Clama por uma solução emergente,
                                               Temendo pela própria liberdade.



* Advogado, escritor, historiador e poeta; membro da A.R.L.S. Universitária Cristal dos Três Vales - n. 3.822 (Teófilo Otoni-MG); membro titular da cadeira n. 15 da Academia de Letras de Teófilo Otoni - ALTO; membro titular da cadeira n. 13 da Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas - AMLM. Autor dos livros "RIO DAS PEDRAS - ITAIPÉ 50 ANOS"  e "EU E A VIDA AOS OLHOS DA LUZ", e co-autor de diversas antologias.



quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Poema de Antônio Jorge de Lima Gomes em homenagem aos 15 anos da Academia de Letras de Teófilo Otoni

Apresenta-se a seguir o poema em homenagem à passagem dos 15 anos da Academia de Letras de Teófilo Otoni (2002-2017), composto pelo Engenheiro e Professor Dr. Antônio Jorge de Lima Gomes, em dezembro de 2017.


Publicado em Dezembro de 2017 no Jornal Pensando Alto em Teófilo Otoni

Antonio Jorge de Lima Gomes
Professor UFVJM - Campus do Mucuri - Teófilo Otoni

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Classificação e homologação do resultado do III Prêmio Literário Gonzaga de Carvalho


CLASSIFICAÇÃO E HOMOLOGAÇÃO

A Diretoria Executiva da Academia de Letras de Teófilo Otoni, após análise dos trabalhos pela Comissão Julgadora,
RESOLVE: homologar o resultado do III Prêmio Literário Gonzaga de Carvalho, com o seguinte resultado:

Categoria: Poesia 
Classificação geral
Primeiro  Lugar:  “Eterno”,  de  Rossana  Monteiro  Cruz,  Aracajú-SE;  Segundo  lugar:  “Sou  autora  da  minha felicidade”,  de Rosimeire Leal  da Motta  Piredda, Vila Velha-ES  e Terceiro  lugar:  “Ilusão”,  de Celso Gonzaga Porto, Cachoeirinha-RS.

Menções Honrosas:
  lugar:  “Sempitermo”,  de  Cosme  Custódio  da  Silva,  Salvador-BA;    lugar:  “Este  Brasil  que  eu  amo”,  de Margareth das Dores Rafael Moreira Costa, Itambacuri-MG; 6º lugar: “Forças Desarmadas”, de Noe´Comemorável de Oliveira Neto, Caratinga-MG; 7º lugar: ”Boa Noite”, de Décio de Moura Mallmith, Porto Alegre-RS; 8º lugar:  “Gonzaga  de  Carvalho,  quadrão  mineiro”,  de  Maria  Luciene  da  Silva,  Fortaleza-CE;    lugar;  “Contagem regressiva”, de Luciano José Schirmer de Oliveira, Ladainha-MG; 10º lugar; “Tempo perdido”, de José Feldeman, Maringá-PR; 11º  lugar: “Fluvial”, de Cláudio de Almeida Hermínio, Belo Horioznte-MG; 12º  lugar: “Verdades”, de  Tereza  Azevedo,  Campinas-SP;  13º  lugar:  “os  tons”,  de  Cláudio  Rogério  Trindade,  Ijuí-RS;  14º  lugar:  “A consciência  do  viver”,  de  José Moutinho  dos  Santos,  Belo  Horizonte-MG;    15º  lugar:  “O  covarde”,  de  Celso Henrique  Fermino,  São  José  do  Rio  Preto-SP  e    16º    lugar:  “Esvoejar  como  uma  pena”,  de  Evandro  Ferreira Rodrigues, Caucaia-CE

Categoria: Crônica 
Classificação geral
Primeiro  Lugar:  “A  festa  do  Abecê”,  de  Sérgio  Rodrigues  Piranguense,  Contagem-MG;  Segundo  lugar:  “Os quitutes de Iaiá”, de Vânia Rodrigues  Calmon, Vila Velha-ES e Terceiro lugar; “A vida passa por aqui”, de Amalri Nascimento, Rio de Janeiro-RJ.
Menções Honrosas:
4º lugar:  “...E seu eu pudesse ser criança outra vez...”, de Celso Gonzaga Porto, Cachoeirinha-RS; 5º lugar: “Ajuda dolorosa”, de Helena Selma Colen, Ladainha-MG; 6º  lugar: “Peixa”, de Almir Zaferg, Teixeira de Freitas-BA; 7º lugar:  “Apagando  pegadas”,  de Coracy Teixeira Bessa,  Salvador-BA;    lugar:  “Lágrimas  de Guadalquivir”,  de Odair Leitão Alonso, Campinas-SP; 9º lugar: “Crônica dos Ebas que ficam pelo caminho”, de Emanuela Rufino de Lima Melo, Recife-PE;  10º  lugar:  “Reminiscências  de  um  pensamento”,  de Anchieta Antunes, Gravatá-PE;  11º lugar:  “A  parreira  da  vizinha”,  de  Geraldo  de  Castro  Pereira,  Vila  Velha-ES;  12º  lugar:  “Atestado  de sobrevivência”, de Isabel Cristina Silva Vargas, Pelotas-RS; 13º lugar: “Literatura periférica”, de Silvio Parise, East Providence-EUA; 14º lugar: “Quando o amor é demais”, de Esther Rogessi, Recife-PE; 15º lugar: “Antropologia e mistério”, de Altamir Freitas Braga, Belo Horizonte-MG e 16º lugar: “O idoso e o velho”, de Alcione Sortica, Porto Alegre-RS.

Do presente termo com o resultado sejam emitidas 02 (duas) vias de igual teor, devidamente assinadas. Dê ciência aos classificados e ampla divulgação do fato.

Teófilo Otoni/MG, 21de agosto de 2018.
  
PROFª ELISA AUGUSTA DE ANDRADE FARINA
Presidente

PROF. WILSON COLARES DA COSTA
Secretário-Geral


Vídeo do Lançamento da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri - Volume 4

  Olá. O lançamento do Volume 4, da revista do Instituto Histórico e Geográfico do Mucuri, ocorreu no dia 21 de abril de 2021 de forma onlin...